terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Enfim.

Parei de escrever no meu diário e apesar de já ter percebido a falta que isso me faz não consigo voltar a escrever, resolvi guardá-lo no fundo do guarda roupa, não pra enterrar minha vida, apenas para superar a dor que tem me causado lembrar. Não falei né? mas estava no altar supremo do paraíso e de repente caí na terra, despedaçada pela queda, juntando os cacos numa tarde qualquer para pelo menos consegui voltar ao trabalho, olhos vazios, pensamentos longincos, o corpo não respondia mais, eu estava em choque.
Sem fome e sem sede, tinha apertado o botão do "piloto automático" e levei o resto do dia, o resto dos dias, procurando apenas não chorar na rua, não cair de fraqueza e não sentar num bar e cantar as piores músicas já escritas, manipular os pensamentos tinha virado uma lição diária, afinal eu  tinha que estudar, trabalhar, fazer provas e o mais importante, eu tinha que continuar vivendo, eu precisava continuar vivendo. Postei apenas frases, músicas e textinhos fragmentados porque era exatamente assim que eu me sentia.
Anestesiada demais para poder sentir qualquer coisa, uma morfina havia sido injetada sem que eu percebesse e foi o que fez meu corpo continuar, desde aquela terça até hoje de manhã, só até hoje de manhã.

Não planejava falar no assunto tão cedo, não planejava sentir essa dor,mas também não esperava não senti-la nunca, sabia que uma hora  ia acontecer, afinal era uma vida ao lado da pessoa que me fez feliz tanto tempo e tantas vezes por tantos motivos diferentes, mas meu coração tava batendo até quando acordei e depois ele enlouqueceu me trazendo uma dor que me faz suar frio, esquecer do amor próprio, do orgulho e até de mim. Vontade de arrancar esse coração acelerado, jogar no chão e esperar definhar sangrando a espera de que o coração acalme enquanto lembro daquele abraço que só ele pode dar, que só ele sabe dar. Quero muito me trancar no banheiro agora e chorar até não consegui respirar mais, mas tô com os olhos lotados de rímel. Quero deitar numa cama, esperar o sono e ser embalada por uma canção sem letra, e é um pleonasmo tudo isso e faz todo sentindo porque meu consciente fica repetindo umas coisas desesperadamente  e ao mesmo tempo pede para eu não chorar, para não ceder, para esperar, para levantar, para caminhar sozinha, pede para eu desligar esse botão, tirar o vazio dos olhos castanhos, dar cor a garota a laranja novamente e sorrir leve.


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